11.11.14

Sarajevo, Setembro

No final do mês de Setembro visitei Sarajevo, a capital da Bósnia e Herzegovina. A escolha desta visita, se fosse simplesmente por viajar, não estaria em primeiro na lista, porém o meu irmão encontrava-se nesta cidade num projecto de voluntariado e, a convite de familiares, lá decidi visitar o meu primeiro país da ex Jugoslávia. 
Uma pequena cidade, apesar de capital, em que o aeroporto tem apenas cinco gates e o número de turistas é relativamente baixo. Porém, toda revestida de história, muitas vezes trágica, e ainda recente e com um encanto único. As semelhanças com Istambul, cidade onde estive em Erasmus no ano passado, eram bastante visíveis, porém a sua história e mistura de diferentes impérios e fases como país fazia-se notar em cada parte da cidade e em cada edifício. 
Apesar de toda a cidade ainda mostrar, fisicamente, muitas provas do cerco, os habitantes mostram-se felizes. O que mais admirei em toda esta visita à cidade foi o reconhecimento da capacidade deste povo ter criado o aclamado Sarajevo Film Festival durante o Cerco de Sarajevo, enquanto dezenas morriam diariamente, mas a fome pela educação e cultura era elevada. Não pude deixar de pensar na curta metragem de Teresa Villaverde, "Sara e a sua mãe", onde a mãe de Sara tem marcados todos os livros que leu durante o cerco. Os habitantes de Sarajevo, na pior das suas épocas, refugiaram-se na cultura para se salvarem.



Foto: Minha, tirada com o telemóvel, numa loja de artigos em segunda mão que se estendia para a rua.

1 comentário:

  1. o teu último parágrafo é ouro! de facto é impressionante o que os habitantes de Sarajevo fizeram durante o malfadado cerco. enquanto que museus, mesquitas, o City Hall (Vijećnica) que na altura tinha uns 2.000.000 de livros e manuscritos, e outros edifícios cheios cheios de cultura e história de Sarajevo eram destruídos, o povo responde com o nascimento do SFF, o festival de música clássica, o festival de Jazz, o MESS (teatro) continua... enfim, podiam ter destruído a cidade mas destruiriam a identidade de um povo.

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