25.8.09

Arctic Monkeys - Humbug [2009]

“Dizer que os Arctic Monkeys cresceram em pouco tempo pode ser um cliché, mas que outra forma existira para classificar uma banda que, no início, sonhava com uma grade de cervejas no final dos concertos e hoje é senhorial na escrita? Humbug nem parece um disco de rock escrito por miúdos de vinte e poucos anos, ou, melhor, há um amadurecimento óbvio que se explica com as sombras dos The Last Shadow Puppets, brilhante aventura de Alex Turner, o vocalista, ao lado de Miles Kane (dos rascals).
Posto de outra forma, Whatever people say, That’s what i’m not e Favourite worst nightmare foram discos de festejo. Agora, a bebedeira deu ligar à ressaca e os «macacos» estão mais conscientes. Adultos, pode dizer-se, mas não acomodados a um estatuto ou pretensiosos. E basta pensar que Humbug significa qualquer coisa como “disparate”.
Humbug desafia os Arctic Monkeys a procurar novas soluções, amiúde psicadélicas, mas que não se fecham nesse som. Josh Homme, o senhor Queens of the Stone Age, traz a experiência que, por questões etárias, a banda ainda não tem. O americano não cai, contudo na tentação de os transformar em meros aprendizes de «sessões do deserto», conhecidas pela sua abertura a figuras menos óbvias. P.J. Harvey é o exemplo acabado da mescla entre as personalidades que gravitam à volta do estúdio de Josh Homme e visitas inesperadas.
Humbug é o In Utero dos Arctic Monkeys ainda que mais pujante. Passa pelos riffs dos Black Sabbath, recorda o rubor dos Cream e acrescenta-lhe uma postura educadamente energética e viçosa. Os rapazes não se transformaram em yupies anafados e desatentos. Continuam (e como!) a reflectir uma geração inconformada e pró-activa. Tal como a musica dos Artcic Monkeys. Este ainda não é um Songs for the Deaf (a obra charneira dos Queens of the Stone Age) porque a consistência ainda não é total mas é seguramente um dos grandes álbuns do rock da temporada, daqueles que merecem ser consumidos durante meses, ate o circo passar pela cidade.”

Davide Pinheiro, in noticias sabado’ 189


Faço destas, palavras minhas.

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